Efexor75

Voltou, embora sem motivo aparente... e com a mesma cara velha de antes...



Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Nova casa

Acesse Efexor-75. Adeus, meu velho e querido amigo, fará falta...

postado por: Rubão 9:45 AM

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Hã???

A compulsividade sumiu e o blog vai ficando parado até porque essa porra de blogger da Globo está uma droga e vou deixá-lo em breve para um outro com melhor serviço. Por isso, ele anda devagar e eu com sono. Texto só de música. Até!

postado por: Rubão 9:18 AM

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Terça-feira, Outubro 24, 2006

Como reconhecer um futuro palmeirense...

Foto enviada por Juliana Leme da Costa, minha mana caçula...

postado por: Rubão 10:16 AM

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Trilha sonora do dia

Miles In The Sky é o primeiro grande disco elétrico de Miles Davis.

Com quatro longas faixas - "Stuff", "Paraphenalia", "Black Comedy" e "Country Son", Miles conseguia se aproximar do público jovem e do rock.

Perfeccionista, Miles pagava seus músicos extremamente bem e nessa época seu quinteto parecia um who's who, saca só: Herbie Hancock (piano acústico e elétrico); Wayne Shorter (sax tenor); Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria); além de um jovem guitarrista negro como convidado: George Benson.

Um dos mais hipnóticos álbuns já feitos na história.

postado por: Rubão 8:57 AM

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Sábado, Outubro 21, 2006

Um dia...

Um dia alguém de uma editora bacana vai entrar aqui dizer que escrevo bem e me oferecer um contrato. E nesse dia vou ficar feliz por ganhar grana com algo que adoro. E para comemorar vou ter uma pane seca ficar na cama sem inspiração deprimido e nunca mais o blog será atualizado e nem meu site de música e serei processado por ter embolsado dinheiro e nem uma linha produzido ficando ainda mais arruinado. Sera o meu fim sem sequer ter iniciado. Que vida besta sô!

postado por: Rubão 12:32 PM

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Brincando de Kerouac II

Viagem medonha 55 horas cansaço fome inchaço dor tédio desespero diarréia vômito ansiedade. Amar amar amar verbo intransitivo o caralho amar amar amar amar Naiacy Naiacy amar amar vida vida. Criança criança sol sol praia verde horizonte sem prédios cerveja arroz de cuxá lembro de Laguna nada faz sentindo. Lamb Lies Down on Broadway tocando seguido por Husker Dü. Banda bacana mas menos barulhenta que meu novo sobrinho caralho como ele é ruidoso mas divertido com suas tiradas parece que puxou ao tio que mal chegou. Palmeiras série B porra Sport Náutico sofrimento do cacete Love Love All I Need Is Love da Naiacy do Vágner - marca cretino marca - já foi para a Rússia nem deu tempo de virar Evair Edmundo mas já é mais do que Oseas - porra de tosco - ou o rabudo do Paulo Nunes. Calor calor calor muriçoca infiltração de merda fodeu a parede e meu Who's Next versão comemorativa duplo - embolorou o encarte merda mas o CD ficou intacto ainda bem. Limpo ouço Miles Billie faço ligações mudo de casa achei um barraco mais amplo minha mãe vem me visitar que saudades dela! Trouxe cds livros carinho meu primo junto amor simpatia e risadas. Saudades de todos mas a vida segue a vida nao pára o tempo não pára - dias sim dias não vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta. Fascinatin' Rhythm canta Ella costura um peito ferido uma alma aberta ainda que apaixonada. Cadê a Naiacy cadê a minha bebezinha? Viajou de novo precisa ganhar grana para nós que saudades que saudades que felicidade que felicidade ela chegou! Licença que vou enchê-las de bicotas....

postado por: Rubão 11:28 AM

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Brincando de Kerouac

A vida nasceu antes de eu entender o que era isso. A vida veio em cima de mim e me deu um pontapé um aperto na bochecha um beliscão na bunda e um chute nos fundilhos. Dois minutos de Charlie Parker solando com um copo de cerveja na mão um dardo entrando em minha coxa após bater no aro e voltar. Caralho como isso aconteceu? Saio correndo entro em um festa de cinco anos da comunidade gay (quer coisa mais bambi do que isso?) beijo uma gostosa os seguranças correm atrás de mim e disparo pela rua com tal velocidade insuspeitas para meus 100 kg e dono de um tornozelo para lá de comprometido. Volto de manhã pego o carro abandonado na rua e milagrosamente inteiro e faço um café. Ligo para a amada cansei dessa porra de vida cansei de ser só! Vou-me embora. Vendo carro empacoto as coisas entrego o ap adeus! Adeus! Adeus! Ah um amor para roçar os pés na cama pela manhã para não deixar esfriar o café na garrafa térmica para tomar banho para brigar para beijar para amar para sempre!!!! Amor por que demorou para chegar tanto cretino????

postado por: Rubão 11:11 AM

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Bambi não, bambi não!!!!

Bom dia, bom dia, bom dia! Ih, que felicidade!!!! Mas por que, caralho? Sei lá, fiquei louco! Sem grana, Naiacy viajou, com sono, um sol da porra derretendo tudo... Ah, mas tem bem-te-vis cantando no fio de alta tensão - aliás, vários, são meus melhores amigos!

Meses atrás, uma pombinha branca, daquelas bonitas, tava meio fraquinha. Aí, ela ficava andando pelo quintal de casa, até que coloquei água em copinho descartável e coloquei no alto do portão, onde há uma pequena elevação, com um pouquinho de pão e pronto! Ih, virou inquilina, se acabava de comer e beber! Eram três copinhos de água por dia e quando ficava feliz jogava tudo lá do alto e ia pro chão ficar arrulhando e nem fugia quando a gente aparecia por lá. Até me seguia!

Ih, que felicidade! Eu sou uma besta mesmo. E nem tomo mais efexor75... Ih, será que to virando bambi????

postado por: Rubão 10:55 AM

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Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Algumas vezes não é fácil ser Rubens....

Ele e a "tartaruga Rubinho"...

postado por: Rubão 10:44 AM

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(in)coerência

A minha voz pode falar apenas por mim, não pelos outros. Alguns não gostam das minhas atitudes e me criticam pelo dito, não dito, não feito, não realizado e por excesso das duas últimas. Posso até pedir desculpas, mas pouco adiantaria. As pessoas não querem desculpas, querem motivo para se sentirem miseráveis e te deixarem miseráveis. Um velho truque e tão usado, ainda hoje.

Não adianta me pedir explicações de gestos, atos ou tentar entender os meus motivos. Não adianta porque eu também não sei. Nunca foi tão consciente a ponto de saber algo sobre meu funcionamento. Por esse motivo me julgo uma farsa como ser humano ou apenas o mais humano dos humanos. Você já tentou contar os grãos de areia, as células do seu corpo ou o número de vezes que respira em um dia? Da mesma maneira que isso é impossível, é também impossível me pedir uma análise completa minha, mesmo após tantos anos de reflexões.

Se a vida nos traz experiências durante os anos e isso nos torna mais sábios, eu devo estar a cada dia mais ignorante sobre mim mesmo. Eu sempre volto para um estágio interno que me irrita porque nunca muda. Eu quero mudá-lo, mas ele permanece mais empacado do que um exército de mulas. Não adianta pedir coerência. A minha coerência serve apenas para mim. É como a definição de "santo" de Kerouac. Os santos deles não eram os santos que conhecemos, porque eram santos tremendamente sacanas e que podiam tanto fazer um gesto de extrema beleza quanto de imensa canalhice. Eu não gosto tanto assim de coerência. Quer dizer, gosto no sentido em que algumas coisas não são possíveis sem ela, mas naquelas em que é facultativa, meto um pé nos fundilhos.

Pensando bem, ela tem tomado pontapés até quando não devia...

postado por: Rubão 9:09 AM

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Outra poesia de Allen Ginsberg

CANÇÃO

O peso do mundo

é o amor.

Sob o fardo

da solidão,

sob o fardo

da insatisfação



o peso

o peso que carregamos

é o amor.



Quem poderia negá-lo?

Em sonhos

nos toca

o corpo,

em pensamentos

constrói

um milagre,

na imaginação

aflige-se

até tornar-se

humano -

sai para fora do coração

ardendo de pureza -



pois o fardo da vida

é o amor,



mas nós carregamos o peso

cansados

e assim temos que descansar

nos braços do amor

finalmente

temos que descansar nos braços

do amor.



Nenhum descanso

sem amor,

nenhum sono

sem sonhos

de amor -

quer esteja eu louco ou frio,

obcecado por anjos

ou por máquinas

o último desejo

é o amor

- não pode ser amargo

não pode ser negado

não pode ser contido

quando negado:

o peso é demasiado

deve dar-se
sem nada de volta

assim como o pensamento

é dado

na solidão

em toda a excelência

do seu excesso.



Os corpos quentes

brilham juntos

na escuridão,

a mão se move

para o centro

da carne,

a pele treme

na felicidade

e a alma sobe

feliz até o olho -



sim, sim,

é isso que

eu queria,

eu sempre quis,

eu sempre quis

voltar

ao corpo

em que nasci.

postado por: Rubão 8:33 AM

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Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Texto do dia

UIVO, para Carl Solomon*

por Allen Ginsberg

Primeira Parte

Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca uma dose violenta de qualquer coisa
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus Cérebros ao céu sob o Elevados e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos & publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror através da parede,
que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo com um cinturão de marijuana para Nova York,
que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite
com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e caralhos e intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Paterson, iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de sol e lua e árvore no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklyn, declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx de benzedrina até que o barulho das rodas e crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca arrebentada e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do zoológico,
que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford's, voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no desolado Fuggazi's escutando o matraquear da catástrofe na vitrola automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklyn,
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos das janelas do Empire State da Lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e lembranças e anedotas e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
intelectos inteiros regurgitados em recordação total com os olhos brilhando por sete dias e noites, carne para a sinagoga jogada na rua,
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum deixando um rastro de cartões postais ambíguos do Centro Cívico de Atlantic City,
sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas nos ossos e enxaquecas da China por causa da falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia-noite no pátio da estação ferroviária perguntando-se onde ir e foram, sem deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga, vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando anjos índios e visionários que eram anjos índios e visionários, que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu em êxtase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma no impulso da chuva de inverno na luz das ruas de cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante para conversar sobre América e Eternidade, inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México nada deixando além da sombra das suas calças rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas na lareira Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco do Capitalismo,
que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Square, chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos os afugentavam gemendo mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e também gemia a balsa de Staten Island,
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos, nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço e berraram de prazer nos carros de presos por não terem cometido outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no Metrô e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados e urraram de prazer,
que enrabaram e foram enrabados por esses serafins humanos, os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livremente seu sêmem para quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as três megeras do destino, a megera caolha do dólar heterossexual, a megera caolha que pisca de dentro do ventre e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda retalhando os dourados fios intelectuais do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor e terminaram desmaiando contra a parede com uma visão da buceta final e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
que adoçaram as trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado numa miriade de carros roubados à noite, N.C. herói secreto destes poemas, garanhão e Adonis de Denver - prazer ao lembrar das suas incontáveis trepadas com garotas em terrenos baldios & pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras de poltronas de cinema, picos de montanha, cavernas ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias solitário à beira da estrada & especialmente secretos solipsismos de mictórios de postos de gasolina & becos da cidade natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida & cambalearam até as agências de emprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue pelo cais coberto por montões de neve, esperando que se abrisse uma porta no Bast River dando num quarto cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos de apartamentos do Hudson à luz de holofote anti-aéreo da lua & suas cabeças receberão coroas de louro no esquecimento,
que comeram o ensopado de cordeiro da imaginação ou digeriram o caranguejo do fundo lodoso dos rios de Bovery,
que choraram diante do romance das ruas com seus carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música,
que ficaram sentados em caixotes respirando a escuridão sob a ponte e ergueram-se para construir clavicêmbalos nos seus sótãos,
que tossiram num sexto andar do Harlem coroado de chamas sob um céu tuberculoso rodeados pelos caixotes de laranja da teologia,
que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre invocações sublimes que ao amanhecer amarelado revelaram-se versos de tagarelice sem sentido,
que cozinharam animais apodrecidos, pulmão coração pé rabo borsht & tortillas sonhando com o puro reino vegetal,
que se atiraram sob caminhões de carne em busca de um ovo,
que jogaram seus relógios do telhado fazendo seu lance de aposta pela Eternidade fora do Tempo & despertadores caíram nas suas cabeças por todos os dias da década seguinte,
que cortaram seus pulsos sem resultado por três vezes seguidas, desistiram e foram obrigados a abrir lojas de antigüidades onde acharam que estavam ficando velhos e choraram,
que foram queimados vivos em seus inocentes ternos de flanela em Madison Avenue no meio das rajadas de versos de chumbo & o contido estrondo dos batalhões de ferro da moda & os guinchos de nitroglicerina das bichas da propaganda & o gás mostarda de sinistros editores inteligentes ou foram atropelados pelos táxis bêbados da Realidade Absoluta,
que se jogaram da Ponte de Brooklyn, isto realmente aconteceu e partiram esquecidos e desconhecidos para dentro da espectral confusão das ruelas de sopa & carros de bombeiros de Chinatown, nem mesmo uma cerveja de graça,
que cantaram desesperados nas janelas, jogaram-se pela janela do metrô, saltaram no imundo rio Passaic, pularam nos braços dos negros, choraram pela rua afora, dançaram sobre garrafas quebradas de vinho descalços arrebentando nostálgicos discos de jazz europeu dos anos 30 na Alemanha, terminaram o whisky e vomitaram gemendo no toalete sangrento, lamentações nos ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor,
que mandaram brasa pelas rodovias do passado viajando pela solidão da vigília de cadeia do Golgota de carro envenenado de cada um ou então a encarnação do Jazz de Birmingham,
que guiaram atravessando o país durante setenta e duas horas para saber se eu tinha tido uma visão ou se você tinha tido uma visão ou se ele tinha tido uma visão para descobrir a Eternidade,
que viajaram para Denver, que morreram em Denver, que Retornaram a Denver & esperaram em vão, que espreitaram Denver & ficaram parados pensando & solitários em Denver e finalmente partiram para descobrir o Tempo & agora Denver está saudosa dos seus heróis,
que caíram de joelhos em catedrais sem esperança rezando por sua salvação e luz e peito até que a alma iluminasse seu cabelo por um segundo,

que se arrebentaram nas suas mentes na prisão aguardando impossíveis criminosos de cabeça dourada e o encanto da realidade nos seus corações que entoavam suaves blues de Alcatraz,
que se recolheram ao México para cultivar um vício ou as Montanhas Rochosas para o suave Buda ou Tanger para os garotos ou Pacifico Sul para a locomotiva negra ou Harvard para Narciso para o cemitério de Woodlawn para a coroa de flores para o túmulo,

que exigiram exames de sanidade mental acusando o rádio de hipnotismo & foram deixados com sua loucura & suas mãos & um júri suspeito,
que jogaram salada de batata em conferencistas da Universidade de Nova York sobre Dadaísmo e em seguida se apresentaram nos degraus de granito do manicômio com cabeças raspadas e fala de arlequim sobre suicídio, exigindo lobotomia imediata,
e que em lugar disso receberam o vazio concreto da insulina metrasol choque elétrico hidroterapia psicoterapia terapia ocupacional pingue-pongue & amnésia,
que num protesto sem humor viraram apenas uma mesa simbólica de pingue-pongue, mergulhando logo a seguir na catatonia,
voltando anos depois, realmente calvos exceto uma peruca de sangue e lágrimas e dedos para a visível condenação de louco nas celas das cidades-manicômio do Leste,
Pilgrim State, Rockland, Greystone, seus corredores fétidos, brigando com os ecos da alma, agitando-se e rolando e balançando no banco de solidão à meia-noite dos domínios de mausoléu druídico do amor, o sonho da vida um pesadelo, corpos transformados em pedras tão pesadas quanto a lua, com a mãe finalmente ****** e o último livro fantástico atirado pela janela do cortiço e a última porta fechada às 4 da madrugada e o último telefone arremessado contra a parede em resposta e o último quarto mobiliado esvaziado até a última peça de mobília mental, uma rosa de papel amarelo retorcida num cabide de arame do armário e até mesmo isso imaginário, nada mais que um bocadinho esperançoso de alucinação -
ah, Carl, enquanto você não estiver a salvo eu não estarei a salvo e agora você está inteiramente mergulhado no caldo animal total do tempo -
e que por isso correram pelas ruas geladas obcecados por um súbito clarão da alquimia do uso da elipse do catálogo do metro & do plano vibratório
que sonharam e abriram brechas encamadas no Tempo & Espaço através de imagens justapostas e capturaram o arranjo da alma entre 2 imagens visuais e reuniram os verbos elementares e juntaram o substantivo e o choque de consciência saltando numa sensação de Pater Omnipotens Aeterni Deus,
para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa humana e ficaram parados à sua frente, mudos e inteligentes e trêmulos de vergonha, rejeitados todavia expondo a alma para conformar-se ao ritmo do pensamento na sua cabeça nua e infinita,
o vagabundo louco e Beat angelical no Tempo, desconhecido mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte,
e se reergueram reencarnados na roupagem fantasmagórica do jazz no espectro de trompa dourada da banda musical e fizeram soar o sofrimento da mente nua da América pelo amor num grito de saxofone de eli eli lama lama sabactani que fez com que as cidades tremessem até seu último rádio,
com o coração absoluto do poema da vida arrancado para fora dos seus corpos bom para comer por mais mil anos.


*tradução: Cláudio Willer

postado por: Rubão 7:02 PM

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Frase do dia

"Soltem as fechaduras das portas!
Soltem também as portas dos seus batentes!"


Allen Ginsberg 1926-1997

postado por: Rubão 11:37 AM

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Jack Kerouac

Ele não é meu escritor beat favorito (sou mais o Allen Ginsberg...), mas é tão raro encontrar livros nacionais deles, que quando vejo um, compro na hora. Nesse semana, chegou aqui uma edição de 6 reais da L&PM e tinha um do Kerouac e do Burroughs (que ainda não comprei porque a grana anda curtíssima, mas comprarei na semana que vem...).

Kerouac tem um estilo muito prolixo, quase turbinado mesmo, anfetamínico, falando várias coisas ao mesmo tempo, e muitas vezes dando a impressão que não está dizendo nada, assim como eu neste blog. Em três linhas fala de mulheres, drogas, budismo, sem pontuação como se não conseguisse respirar enquanto escreve. Parece que está sempre tendo um ataque de ansiedade...

Bem, nessa edição de seis mangos lançaram Tristessa outra história auto-biográfica em que ele conta sua paixão por uma índia nativa do México viciada em morfina. Desde On The Road Kerouac me encanta e me entedia. Me encanta sua velocidade e sua honestidade, me entedia tantos porres, pirações e personagens que flutuam entre o sublime e o patético. Com certeza, se eu fosse americano na década de 50, seria um beatnik, mas agradeço ter nascido aqui mesmo, em 1969.

Kerouac, pelo visto, também se cansou desse seu passado porra-louca, viciado, bêbado, bissexual, pois nos últimos anos da vida virou um direitista conservador escroto, embora eu suspeite que fosse muito mais para tentar espantar os zilhões de malas que deviam viajar dias para ter uma palavra dele que trouxesse uma "luz", quando ele deveria apenas estar querendo arranjar alguém para trepar e encher a cara.

Kerouac foi um cara que queria ser apenas um escritor, mais do que qualquer coisa da vida, e resolveu ser o seu único personagem. É impressionante imaginar que um cara que morreu apenas com 47 anos tenha vivido tanto. É impressionante que tenha tido tempo de escrever quase 40 livros. Patético, mas previsível, foi ter morrido de cirrose. E mais patético ainda, foi acabar seus dias xingando toda uma geração construída em cima de seus escritos.

Porém, Jack Kerouac é um mito eterno, e goste-se ou não, tem seu lugar entre os grandes.

Afinal, um certo Bob Dylan (quando não ainda não era chamado de Dylan) fugiu de casa aos 15 anos após ler On The Road, inspirando em suas aventuras.

Só por ele ter sido o ídolo do maior ídolo de tudo que surgiu na música após os anos 60, já o coloca lá bem no alto.

Não é toa que quase todo ano, Dylan vai à sua lápide, senta e canta algumas velhas canções para Jack (na foto, ao lado de Ginsberg). Quem mais recebe tão ilustre e linda homenagem?

postado por: Rubão 11:24 AM

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O que não desejo...

À qualquer criança do sexo masculino

1 - A barba do Menon
2 - O charme do Amaral
3 - A cabeça do Nori
4 - A educação do Chico Silva
5 - O nariz do Rodrigo Borges

À qualquer criança do sexo feminino

1 - Pareça com a Fátima Bernardes
2 - O corte de cabelo da Sandra Annenberg
3 - O cérebro da Lucianta Gimenez
4 - Faça cara de inteligente como a Marília Gabriela
5 - Tenha o mesmo gosto para homens da Cicarelli

À minha princesa

1 - Tenha paixão pela segunda geração do Rebelde
2 - Assine Caras
3 - Assine Veja
4 - Seja jornalista
5 - Namore o filho do Diogo Mainardi

Ao meu pimpolho

1 - Seja sensível (tucanei o bambi)
2 - Seja gambá
3 - seja tucano
4 - Vote no Alckmin
5 - Ache o pai um cara careta

postado por: Rubão 9:30 AM

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